Propósito não é palco

A palavra “propósito” virou tendência. Está nas biografias, nas palestras, nas legendas inspiradoras. Tornou-se quase uma marca pessoal, um selo de relevância. Mas, no fundo, muitos não querem servir, querem ser vistos. Querem fazer a obra, mas precisam ser notados. Querem chamado, mas com visibilidade. Falam sobre transformação, mas esperam validação. Chamado não é palco. Obediência não é performance. O Reino de Deus não funciona pela lógica da autopromoção, mas pela lógica da entrega. Nem todo propósito vem acompanhado de notoriedade. Às vezes, ele se manifesta na constância silenciosa, na integridade quando ninguém está olhando, na fidelidade em tarefas que não rendem curtidas, elogios ou reconhecimento público. É no secreto que o caráter é formado e que as motivações são purificadas. Jesus disse: “Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 6:1). A questão é sobre coerência, não sobre exposição. Você ficaria satisfeito se Deus usasse sua vida profundamente, mas ninguém soubesse que foi você? Se a resposta for não, talvez o reconhecimento esteja ocupando o lugar da rendição. O Reino de Deus cresce em anonimato antes de aparecer em público (Marcos 4:26–32). Nem tudo que é relevante é visível. E nem tudo que é visível é realmente relevante. Você quer propósito… ou só reconhecimento?

#ProvocaçõesTeológicas