Transformando Deus em ferramenta religiosa
Quando Deus deixa de ser o centro e passa a ser instrumento, o sagrado se torna utilitário. Orações deixam de ser rendição e viram estratégia. Busca-se Sua presença não por amor, mas por vantagem. Deus é invocado para legitimar planos pessoais, abençoar ambições e garantir resultados. A espiritualidade se ajusta ao interesse do momento. O coração não quer Deus, quer o que Deus pode dar. Essa inversão é sutil e perigosa. Parece devoção, mas é negociação. Parece confiança, mas é manipulação do divino. Quando a vontade de Deus só é aceita se coincidir com a nossa, não estamos seguindo a Ele, estamos tentando usá-Lo. Jesus confronta essa lógica ao dizer: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33). Primeiro o Reino, não os benefícios do Reino. Primeiro a justiça, não a conveniência. Deus não é meio para prosperar projetos humanos. Ele é o Senhor diante de quem projetos se submetem. A fé genuína não marioneta Deus para alcançar sonhos. Ela entrega os sonhos para conhecer...