Paz interior vs. consciência anestesiada

Existe uma paz que é fruto da confiança em Deus e também uma paz que é resultado de evitar a verdade. Nem todo coração tranquilo está alinhado com os valores do Reino dos Céus. Às vezes, o silêncio interior não é expressão de fé, mas de acomodação. Quando a consciência para de incomodar, isso não significa, necessariamente, maturidade espiritual. Pode ser apenas cansaço de resistir à luz. Alguns chamam de equilíbrio o que, na verdade, é indiferença. Outros chamam de sabedoria o que, na realidade, é apenas medo do confronto. A Escritura alerta que pessoas podem cauterizar a própria consciência: “pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada” (1 Timóteo 4:2). O perigo não é sentir culpa demais, mas não sentir mais nada. A voz que antes corrigia passa a ser ignorada. O incômodo que levava ao arrependimento é substituído por justificativas elegantes e termos sofisticados. A paz verdadeira não foge da verdade. Ela surge depois do confronto, não antes. O Espírito Santo não anestesia a consciência para confortar o erro; Ele revela o erro para transformar o coração. Se sua paz exige silêncio diante do que precisa ser mudado, talvez não seja paz. Talvez seja apenas um coração que aprendeu a se defender de Deus.

#ProvocaçõesTeológicas