Fé seletiva: obedecer só no que não dói

Fé seletiva é a espiritualidade que escolhe obedecer apenas quando não há perda, confronto ou renúncia. É a devoção que canta louvores, mas negocia mandamentos. Seguimos o que confirma nossos desejos e relativizamos o que expõe nossos ídolos. Chamamos de prudência o que muitas vezes é autopreservação. Oramos por direção, mas resistimos quando a resposta exige mudança real. Jesus nunca prometeu conforto como evidência de fidelidade. Ele chamou para negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Lucas 9:23). A obediência que não custa nada também não transforma nada. Quando filtramos a vontade de Deus pelo critério do que é fácil, transformamos o Senhor em conselheiro opcional. A Escritura confronta essa postura ao afirmar que quem ouve e não pratica engana a si mesmo (Tiago 1:22). A pergunta incômoda permanece: prezamos realmente a vontade de Deus ou apenas as partes que não doem? A fé quando é madura não seleciona, se rende. Convicção verdadeira permanece firme quando o preço chega. Onde a obediência termina nasce o “deus funcional”, um Aladim utilitário que se assemelha mais ao gênio da lâmpada mágica do que ao Deus que exige entrega.

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