Milagre não autoriza imprudência

Mas ele, acenando-lhes com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar. vs. 17

Orações respondidas devem produzir sensatez, e não síndrome de heroísmo 

Pedro foi extremamente cauteloso ao pedir aos irmãos que não fizessem estardalhaço pelo livramento miraculoso que havia ocorrido com ele. Não era o momento de bancar o herói e fazer propaganda do que Deus estava fazendo em sua vida através da campanha de oração daquela comunidade. Ele sabia que a circunstância era crítica e exigia cautela; por isso, não deu “sopa ao azar”, achando que agora era só estalar os dedos e Deus interveria novamente enviando anjos para libertá-lo. Ele foi sóbrio e fugiu do perigo, ao contrário de alguns que usam o milagre para fazer marketing pessoal ou se expor deliberadamente a situações desnecessárias que certamente resultarão em derrotas vergonhosas.

Essa mesma cautela e prudência podemos observar na reação do Senhor Jesus, quando Satanás, na sua tentativa de despertar o “improvável” ego inflado do Filho de Deus, sugere que ele pulasse do pináculo do templo, pois teria como garantia o amparo dos anjos que não permitiriam que ele sofresse dano algum (Mateus 4:5-7). O diabo constrói sutilmente essa tentação, oferecendo como apólice de seguro o Salmo 91:11,12. O tentador só não contava que a resposta seria dada à altura, citando outro trecho da Escritura: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 6:16). Jesus não era o tipo falastrão que usava o poder e a autoridade que possuía para fazer marketing e agenda de púlpito. Ao contrário, ele não precisava provar nada para ninguém e usava como metodologia de trabalho a discrição (Marcos 1:40-45), pois sabia exatamente para o que havia vindo à terra (João 17:4).

Seria extremamente importante destacarmos aqui que, se Pedro, que já havia experimentado várias manifestações miraculosas por intermédio de seu próprio ministério e também por meio dos seus companheiros de colegiado apostólico, bem como o próprio Filho de Deus, que tinha consciência de sua paternidade e identidade divina e de suas prerrogativas e possibilidades sobrenaturais à disposição, não se expuseram deliberadamente ao perigo nem ousaram usurpar uma glória que não lhes pertencia, por que alguns meros mortais, em nossos dias, se dão a esse vexame, expondo ao escárnio e ao escândalo o Evangelho?

A resposta a essa pergunta deve-se ao fato de que tais obreiros sofrem da “síndrome de heroísmo” e não entenderam ainda o que outro apóstolo conseguiu discernir depois de abrir mão de suas credenciais, que tanto o orgulhavam (Filipenses 3:4-8), fazendo questão de deixar registrado em sua carta aos irmãos que estavam em Roma que todo reconhecimento e atribuição de poder pertencem somente a Deus: “Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Romanos 11:36). Penso que seria mais prudente e igualmente inteligente não fazer Deus avalista das nossas sandices teológicas e não colocar na conta dele a fatura pelas consequências da nossa falta de sensatez e cautela.


Franklin

 

            Bibliografia / Sugestão de Leitura:

● Bíblia de Estudo Thompson: Cadeia temática de referências cruzadas – Frank Charles Thompson

● Comentário Bíblico Wiersbe: Vol. 2 Novo Testamento – Warren W. Wiersbe

 

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