Milagre não autoriza imprudência
Mas ele, acenando-lhes com a
mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e
disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar.
Orações respondidas devem produzir sensatez, e não síndrome de heroísmo
Pedro foi extremamente cauteloso ao pedir aos irmãos
que não fizessem estardalhaço pelo livramento miraculoso que havia ocorrido com
ele. Não era o momento de bancar o herói e fazer propaganda do que Deus estava
fazendo em sua vida através da campanha de oração daquela comunidade. Ele sabia
que a circunstância era crítica e exigia cautela; por isso, não deu “sopa ao
azar”, achando que agora era só estalar os dedos e Deus interveria novamente
enviando anjos para libertá-lo. Ele foi sóbrio e fugiu do perigo, ao contrário
de alguns que usam o milagre para fazer marketing pessoal ou se expor
deliberadamente a situações desnecessárias que certamente resultarão em
derrotas vergonhosas.
Essa mesma cautela e prudência podemos observar na
reação do Senhor Jesus, quando Satanás, na sua tentativa de despertar o
“improvável” ego inflado do Filho de Deus, sugere que ele pulasse do pináculo
do templo, pois teria como garantia o amparo dos anjos que não permitiriam que ele
sofresse dano algum (Mateus 4:5-7). O diabo constrói sutilmente essa tentação,
oferecendo como apólice de seguro o Salmo 91:11,12. O tentador só não contava
que a resposta seria dada à altura, citando outro trecho da Escritura: “Também
está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 6:16). Jesus não era
o tipo falastrão que usava o poder e a autoridade que possuía para fazer
marketing e agenda de púlpito. Ao contrário, ele não precisava provar nada para
ninguém e usava como metodologia de trabalho a discrição (Marcos 1:40-45), pois
sabia exatamente para o que havia vindo à terra (João 17:4).
Seria extremamente importante destacarmos aqui que, se
Pedro, que já havia experimentado várias manifestações miraculosas por
intermédio de seu próprio ministério e também por meio dos seus companheiros de
colegiado apostólico, bem como o próprio Filho de Deus, que tinha consciência
de sua paternidade e identidade divina e de suas prerrogativas e possibilidades
sobrenaturais à disposição, não se expuseram deliberadamente ao perigo nem
ousaram usurpar uma glória que não lhes pertencia, por que alguns meros
mortais, em nossos dias, se dão a esse vexame, expondo ao escárnio e ao
escândalo o Evangelho?
A resposta a essa pergunta deve-se ao fato de que tais
obreiros sofrem da “síndrome de heroísmo” e não entenderam ainda o que outro
apóstolo conseguiu discernir depois de abrir mão de suas credenciais, que tanto
o orgulhavam (Filipenses 3:4-8), fazendo questão de deixar registrado em sua
carta aos irmãos que estavam em Roma que todo reconhecimento e atribuição de
poder pertencem somente a Deus: “Porque dele, e por ele, e para ele, são todas
as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Romanos 11:36). Penso que
seria mais prudente e igualmente inteligente não fazer Deus avalista das nossas
sandices teológicas e não colocar na conta dele a fatura pelas consequências da
nossa falta de sensatez e cautela.
Franklin✍
Bibliografia
/ Sugestão de Leitura:
● Bíblia de Estudo Thompson: Cadeia temática de
referências cruzadas – Frank Charles Thompson
● Comentário Bíblico Wiersbe: Vol. 2
Novo Testamento – Warren W. Wiersbe
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