A Trajetória de Um Ilustre Desconhecido Escritor

ENTREVISTA PARA A REVISTA 7 LITERÁRIO NEWS

O texto a seguir é a reprodução na íntegra da entrevista que concedi à revista 7 Literário News, Edição 33, a partir da página 15, na qual compartilho aspectos da minha trajetória como "ilustre desconhecido escritor" (risos), das motivações que me levaram à escrita e do caminho percorrido na produção literária. A 7 Literário News tem se destacado por fomentar o diálogo entre literatura e cultura, reunindo entrevistas, ensaios, colunas, indicações e reflexões literárias relevantes. O convite partiu do Pr. Ulisses Ribeiro, Diretor de Relações Sociais e Marketing da Editora, por intermédio do amigo, irmão em Cristo e também colunista da revista, Itamar Roter.

Registro minha sincera gratidão ao Pr. Ulisses, ao querido irmão Itamar Roter e a toda a equipe da 7 Literário, pela oportunidade, confiança e compromisso com um trabalho sério e significativo. Recomendo que acompanhem, divulguem e apoiem o trabalho da 7 Literário News, uma revista que tem contribuído de forma consistente para o fortalecimento do pensamento literário e para um diálogo responsável em nosso tempo.

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A ENTREVISTA...

 

1. O QUE TE MOTIVOU A ESCREVER?

R: Sempre gostei de ler e escrever desde muito novo. Esse interesse foi despertado ainda na adolescência, influenciado pelo meu pai e por um tio materno — eu sempre os via com livros nas mãos, mergulhados na leitura. Mas acredito que uma influência decisiva foi a da dona Nilce, minha querida professorinha de português na quinta série. Ela nos recomendava livros da série Vagalume e pedia resenhas para entregar. A maioria dos alunos encarava aquilo como obrigação; eu, ao contrário, me deleitava com a tarefa. Também não posso deixar de lembrar das cartinhas que escrevia nos dias dos pais, das mães e, claro, para minha namoradinha que hoje é minha esposa, Márcia. Um episódio curioso — que sempre conto em tom de brincadeira — é que meu primeiro livro de “longa metragem” foi, na verdade, um dossiê. Escrevi cerca de 25 páginas denunciando os abusos de um chefe na empresa em que eu trabalhava. Entreguei o documento ao gerente de RH acreditando que o problema seria resolvido. O resultado? Fomos demitidos, eu e o chefe! (risos) Com o tempo, passei a escrever de forma mais consistente. Em 2008, comecei a produzir textos teológicos/devocionais para blogs, tanto em parceria com outros autores quanto no meu próprio — o extinto Conexão da Graça. Essa fase me ajudou a desenvolver uma escrita mais madura e direcionada, especialmente para o leitor cristão. Desde 2020 procuro manter uma regularidade de postagens em um outro blog pessoal no endereço reflexoesfranklinrosa.blogspot.com. Além disso como educador bíblico em escolas dominicais e cursos de teologia, senti a necessidade de deixar um legado para meus alunos escrevendo com um propósito mais claro. Antes mesmo de lançar oficialmente meu primeiro livro, O Sermão de Jesus na Montanha, eu já possuía oito manuscritos prontos só aguardando uma oportunidade de apresentá-los ao público. Só não havia feito isso por falta de recursos financeiros. Porém, quando conheci as plataformas digitais de impressão sob demanda, tudo ficou mais simples e acessível.

2. CONTE-NOS UM POUCO DO SEU LIVRO.

R: Até agora já publiquei 15 livros e tenho outros 4 em fase inicial de projeto. Desse total de publicados, 11 são totalmente meus e 4 foram escritos como coautor, a convite. Entre eles, eu costumo dizer que tenho as minhas “meninas dos olhos”. A primeira é, sem dúvida, O Sermão de Jesus na Montanha. Esse livro abriu portas e me deu a oportunidade de apresentar meus “devaneios” (risos) para um público maior, tanto presencial quanto virtualmente. Ele também me trouxe a emoção e a gratidão de me reconhecer, oficialmente, como escritor (se é que posso me chamar assim — risos). Foi o pontapé inicial para esse santo vício da mente e dos dedos inquietos (risos). O Sermão do Monte, registrado nos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, tem lições riquíssimas de espiritualidade prática para o chão da vida. Talvez seja por isso que tenho tanto carinho por esse livro. A segunda “menina dos olhos” é o Jesus Numa Moto. Além de escrever, também sou motociclista e integrante de um motoclube. Já vinha, há algum tempo, rabiscando ideias para alcançar esse público específico. A inspiração veio quando, num dia qualquer, ouvi a música “Jesus Numa Moto”, do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Eu já conhecia esse rock, presença obrigatória em todos os eventos motociclísticos, mas naquele momento tive um insight: “Vou escrever um livro com esse tema!” O resultado foi uma ficção evangelística baseada no enredo da música, apresentando Marlon como o personagem principal — uma figura que tipifica Jesus Cristo, mas como um motociclista misterioso que percorre estradas solitárias, ajudando pessoas marginalizadas fora do estereótipo e do mecanismo religioso. Esse livro tem me proporcionado experiências incríveis em eventos de motoclube. Algumas pessoas que leram me deram um feedback emocionante que foram tocadas para a espiritualidade e despertadas para o Evangelho de Jesus.

3. QUANDO VOCÊ COMEÇA A ESCREVER, VOCÊ JÁ TEM A HISTÓRIA TODA PENSADA E ESQUEMATIZADA OU VAI DEIXANDO A IMAGINAÇÃO FLUIR À MEDIDA QUE COLOCA AS PALAVRAS NO PAPEL?

R: Costumo brincar com amigos próximos que, às vezes, eu “incorporo” o Chico Xavier e começo a psicografar (risos). Nesses momentos, é como se fosse um brainstorming literário: preciso registrar tudo rapidamente para não perder o insight. Curiosamente, minhas melhores ideias surgem enquanto faço outras atividades — pilotando minha moto, por exemplo. A mente viaja livre, e quando algo aparece, faço uma parada estratégica, pego o celular e gravo em áudio antes que fuja do pensamento. Às vezes, a inspiração chega até durante o sono (ou no que deveria ser sono). Quando isso acontece, me levanto, ligo o computador na hora e anoto tudo. Nessas ocasiões, o projeto costuma já estar bem definido, faltando apenas pequenos ajustes. Mas nem sempre é assim. Na maioria das vezes, vou desenvolvendo o conteúdo aos poucos, deixando que ele se construa com calma. Por isso, tenho o hábito de trabalhar em vários temas ao mesmo tempo — como acontece com os quatro projetos que mencionei anteriormente. Esse é um exercício metódico e sistemático: revisito, corrijo e ajusto o conteúdo várias vezes, até que fique exatamente como eu quero — chega a parecer patológico, quase um “toque literário” (risos). 

4. FALE UM POUCO DE SUA TRAJETÓRIA COMO ESCRITOR.

R: Bem, creio que já tratei disso anteriormente, mas vamos relembrar: sempre gostei de ler e escrever, desde a adolescência, influenciado pelo exemplo do meu pai, de um tio e da minha professora de português, dona Nilce, que me incentivou com livros e resenhas. Ao longo dos anos, esse interesse evoluiu: comecei escrevendo cartas e pequenos textos, depois me aventurei em textos mais longos — até um dossiê polêmico no trabalho! Com o tempo, fui amadurecendo a escrita, produzindo conteúdos teológicos e devocionais para blogs e como educador bíblico. Hoje, além de manter um blog pessoal, procuro escrever com propósito, deixando um legado para meus leitores e alunos. É importante também mencionar a parceria frutífera que fiz com um amigo querido, com quem divido a coautoria de quatro livros – Fábio Manoel. Dessa colaboração nasceu nossa editora, a “Faça Fácil Book-Store”, na qual, além de produzir nossos próprios livros, também atendemos clientes do segmento teológico evangélico, já tendo disponibilizado ao público algumas dezenas de títulos. 

5. QUAL SEU LIVRO E AUTOR FAVORITO? 

R: É difícil escolher apenas um autor ou um único livro. Tenho alguns que admiro igualmente e costumo chamar de “Trio Jota”: John Stott, John Piper e John MacArthur. Esses três nomes são referências na teologia cristã e têm inspirado não apenas a mim, mas também inúmeros outros cristãos e escritores ao redor do mundo. Quanto aos livros, alguns marcaram fases importantes da minha vida. Meu primeiro contato com a leitura, como já mencionei anteriormente, foi através da Série Vaga-Lume, especialmente com O Mistério do Cinco Estrelas, de Marcos Rey. Esses livros despertaram em mim o gosto pela literatura; até hoje mantenho alguns na minha estante com carinho e um certo saudosismo da época da escola. De vez em quando, costumo revisitá-los e relê-los — sempre é uma experiência marcante. Mais tarde, li Como Servir a Deus? — Livro de Levítico, de Dong You Lan (Editora Árvore da Vida). Embora o autor e a editora não sigam exatamente uma linha teológica ortodoxa, essa obra me ajudou muito no início da minha caminhada cristã, despertando o desejo por uma espiritualidade prática e, ao mesmo tempo, profunda. Outro livro inesquecível foi Contra Cultura Cristã – A Mensagem do Sermão do Monte, de John Stott. Lembro que esse livro chegou às minhas mãos por acaso, indicado por um aluno do Centro Terapêutico de Reabilitação de Adictos, onde sou diretor. O exemplar estava todo surrado, embolorado e com páginas soltas. Mesmo assim, foi essa leitura que me inspirou a escrever meu primeiro livro. Na minha opinião, essa obra de Stott deveria ser estudada em todas as classes de escola bíblica. 

6. VOCÊ JÁ RECEBEU ALGUMA CRÍTICA LITERÁRIA DE SEUS ESCRITOS QUE O MOTIVOU A CONTINUAR ESCREVENDO? QUAL?

R: Sim, já recebi algumas críticas, e faço questão de ouvi-las ainda hoje para amadurecer e melhorar meus textos. Lembro que, quando comecei a escrever para blogs, era uma verdadeira disputa — as redes sociais ainda não tinham tanta força, então os debates aconteciam diretamente nos próprios blogs. Nós publicávamos os textos, anunciávamos um debate e aparecia todo tipo de opinião divergente. Muitos dos meus textos foram duramente criticados, e hoje vejo que algumas dessas críticas tinham fundamento, enquanto outras eram apenas discordâncias ideológicas. Às vezes releio algo que escrevi no passado e penso: “Não é possível que eu escrevi uma besteira dessas!” (risos). Mas essa fase foi essencial. Ela me fez persistir na escrita — ora por teimosia, ora por consciência de que precisava melhorar. No fim, essas críticas foram combustível para eu seguir escrevendo e buscando sempre me aperfeiçoar. Hoje, quando publico um livro, peço aos amigos próximos que leiam e façam suas críticas com total liberdade, sem receio de me constranger ou magoar.

7. DEIXE UM CONSELHO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO A ESCREVER HOJE?

R: Aconselhar alguém é uma grande responsabilidade — afinal, uma palavra pode servir tanto para impulsionar quanto para desanimar quem nos ouve. Tudo depende do discernimento de quem recebe, não apenas de quem fala. Já incentivei muita gente a se aventurar na escrita. Alguns publicaram livros com minha ajuda, outros ainda estão no forno — e é uma alegria ver cada projeto ganhando vida. Então, aqui vai o que aprendi nesse caminho:

Em primeiro lugar, não tenha medo das críticas. Elas podem funcionar como uma lapidação — ou, quem sabe, como termômetro da inveja alheia (risos). Se estão falando de você, pode ser sinal de que está no caminho certo.

Em segundo lugar, anote toda ideia, mesmo as mais absurdas. No início, podem parecer desconexas, mas no fim do projeto elas podem se encaixar perfeitamente. Se uma ideia surgir à meia-noite, levante e registre. Se estiver dirigindo, pare o carro ou a moto e grave no celular. Não deixe escapar esses insights de criatividade.

Em terceiro lugar, aceite os erros como parte do processo. Errar é humano, como diz a sabedoria popular. O importante é que o erro não seja premeditado, mas apenas um tropeço no caminho — algo que ensina mais do que atrapalha.

Em quarto lugar, nunca pare de ler. No dia em que você deixar de ler, é melhor deixar de escrever também. Ler alimenta a mente e dá fôlego para continuar criando.

Escrever é uma aventura cheia de desafios, mas também de recompensas. Se você persistir, vai descobrir que cada palavra escrita é um passo para se tornar quem você realmente é como autor.


Franklin